Interpol . El Pintor

Estamos quase a meio da década de ’10 e se há género musical injustiçado é o pop. Digo isto porque além de uma certa estagnação criativa e desaparecimento de velhos e fiáveis nomes há na pop uma enorme exigência. Pede-se de bandas pop que não sejam orientadas para o mercado e que não sejam apressadas a gravações mais ou menos regulares, mais ou menos maduras. Pede-se, imagine-se, que a música pop não seja ligeirinha.

O novo disco dos Interpol, El Pintor, é assim mesmo, ligeirinho.

No primeiro episódio da série Newsroom o pivô de serviço do noticiário é apelidado de Jay Leno das notícias porque a sua popularidade se deve ao facto de não incomodar ninguém. Também no caso de El Pintor é previsível que os Interpol se mantenham populares porque não abordam temas políticos, angústias existenciais e muito menos enviam dardos venenosos a colegas da indústria. São dez faixas que cumprem a missão de entreter o ouvinte com ocasionais momentos maiores como na abertura em “All the Rage Back Home”, “Everything is Wrong” ou “Twice as Hard”. Aparte estes ligeiros desvios à norma, podíamos estar a ouvir o primeiro álbum de uma boa banda de garagem, com alguma inocência nos ritmos e na exploração dos instrumentos. E, lá está, isso não nos incomodaria. O problema é que Interpol tem um legado, tem carreira e isso faz parecer que têm também obrigatoriamente de ter uma missão.

Eu por cá sugiro que se esqueça isso, que se abrace a dimensão pop e que se ouça o disco sem pretensiosismos, uma boa dúzia de vezes e nada mais.

7/10

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