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NOS Primavera Sound . O que vimos

O Primavera Sound, que já foi Optimus e agora “somos” NOS, teve a sua terceira edição entre os dias 5 e 7 de Junho e uma vez mais, o Parque da Cidade do Porto acolheu a celebração da música de braços abertos.

Quando conhecemos o cartaz deste ano, ficamos com a impressão que estaríamos diante do alinhamento menos consensual das três edições, mas ainda assim apresentava nomes fortes como Caetano Veloso, Pixies ou os The National.

A organização do Primavera Sound é algo que deveria ser estudado. Nada falha. Tudo está controlado ao milímetro. Desde uma “praça de alimentação” com corredores largos, a lavabos espaçosos, o que permitia aos festivaleiros que vagueassem com bastante à vontade pelo recinto. Se em festivais mais popularuchos a oferta de brindes e recuerdos ocupam grande parte do tempo de quem paga bilhete, aqui as coisas são bem diferentes. Há excepção da bolsa da NOS que se transforma numa extremamente útil toalha de relax ao sol, aqui não há brindes nem artefactos de maior. Quem compra o bilhete, quer música!

E o primeiro dia fica marcado por um arranque morninho, onde Caetano Veloso tinha a responsabilidade de ser o cabeça de cartaz, mas a sua bossanova e ritmos quentes não aqueceram os fãs, mas conseguiu prender quem desconfiava da objectividade do músico brasileiro. As meninas Haim conseguiram fazer deste momento um belo concerto de rock n’ roll, entoando os seus temas em “versões” mais agressivas, garantindo até então o galardão de concerto do dia. Mas Kendrick Lamar não queria deixar os seus créditos por mão alheias, e num momento de união com a sua crowd, assistiu-se a um espectáculo do hip hop muito old school. A noite termina com os energéticos Jagwar Ma, que actuaram diante de uma plateia já reduzida, pelo cansaço e pela responsabilidade de um dia de trabalho que se aproximava. Ainda assim a festa foi o que se podia esperar, muita!

Sexta-feira trazia alguma expectativa, mas ficou-se por aí. Se os Midlake não conseguiram conquistar o público, o rock encruado dos Föllakzoid aproximou quem andava perto do Palco ATP. As californianas Warpaint não conseguiram transmitir a energia que o girl power consegue nestes momentos, sendo o momento alto da actuação Ashes to Ashes, tema imortalizado por David Bowie, mas que ainda assim suou a coisinha. Os Slowdive eram os senhores que se seguiam, e foi aqui que tivemos a primeira grande actuação da noite. O ressuscitar da dream pop dos anos noventa foi conseguido irrepreensivelmente pelos Slowdive num concerto que serviu para percorrer alguns dos seus maiores êxitos da carreira.

Os Pixies eram o nome maior desta sexta-feira chuvosa, mas a banda de Boston deixou-se levar pelo clima e proporcionou aos milhares de fãs um certo amargo de boca, pois Black Francis e os restantes membros pensavam que estavam em estúdio limitando-se a debitar temas idênticos aos que temos nos nossos discos, permitindo que esta noite marcasse negativamente a carreira duma banda que influenciou a vida de muitos jovens. Mas a noite não estava perdida. Os Mogwai deram aos que resistiram aos Pixies, uma noite de revivalismo do Post-Rock que assinaram no final dos anos noventa, com tempo ainda para passearem pelo recente Rave Tapes.

Chegamos então ao terceiro dia do Primavera Sound, e é aqui que há um maior interesse pelo público em geral. No Palco Super Bock, Lee Ranaldo e os seus The Dust é o primeiro nome de relevo deste último dia de festividades, e sem grandes surpresas, tivemos diante de uma equação onde o resultado final foi manifestamente positivo. Algo que também aconteceu no palco APT com as nipónicas Yamantaka, com um show muito interessante, recorrendo ao rock mais pesado, aplicando aqui e ali umas pitadas dum metal new wave. Entretanto no palco NOS, os Neutral Milk Hotel iam cumprindo com as obrigações, chamando até si algumas almas que desconheciam os norte americanos. Mas o primeiro grande momento ficava a cargo de John Grant, num espectáculo que tanto é dançável como de repente se torna intimísta e melancólico.

Seguem-se os The National, talvez o nome mais esperado daqueles que se deslocaram até ao parque da cidade. Matt Berninger é dono de uma sedução energética em cima do palco que poucos conseguem atingir. Berninger também é capaz de tornar o tema mais enfadonho num hino cantado e exaltado em plenos pulmões por quem está à sua frente. Como já é costume no músico norte americano, o palco não lhe é suficiente, e há que saltar vedações, ultrapassar barreiras de segurança e cantar com o seu público. Estivemos diante de um bom momento, que contou com a participação de Annie Clark e que será relembrado por muitos.

Entretanto no Palco Pitchfork, as Dum Dum Girls proporcionavam um excelente momento a todos os que por um motivo ou outro abdicaram de assistir ao concerto dos The National, conseguindo criar um show de rock n’ roll muito feminino.

A noite continua e Annie Clark toma conta do Palco Super Bock, num concerto do seu alter ego St. Vincent. Dona de um espectáculo sedutor, agarrou o publico e trouxe mais alguns, proporcionando um dos grandes momentos musicais desta edição do Primavera Sound, onde percorreu todos os temas obrigatórios da sua discografia, dando como é natural, maior ênfase ao seu último trabalho.

Se estávamos bem satisfeitos com St. Vincent, Nic Offer sentiu que tinha dar mais do que o normal, pois poucos se encontravam diante do Palco NOS no início do concerto. E deu… Os !!! fizeram com que o Primavera terminasse como se duma grande festa se tratasse. Nic Offer dançou e fez dançar. Ninguém conseguiu ficar um segundo que fosse quieto.

Segundo a organização do Festival, estivaram 70.000 pessoas na terceira edição do Primavera Sound. Acreditamos que tenha sido o menos consensual, e por isso, o menos apelativo. 2015 será ano da quarta edição do Primavera Sound, e esperamos que traga à invicta 3 dias iguais ao último desta edição.

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