: Papercutz, o céu é o limite…

Conversamos com Bruno Miguel, líder dos : Papercutz, um projecto de pop electrónica, já distinguido com vários prémios, nacionais e internacionais.

Com uma significativa experiência e reconhecimento fora de Portugal, o músico fala-nos da explosão de festivais no nosso país – “ não sei se vai ser sustentável ou não. O ideal se calhar é festivais pequenos. Gosto da ideia de festivais de nichos.”

Embora não se sinta qualificado para comentar a realidade portuguesa, realça a importância de evitar a banalização da música e de manter alguma distância entre a música e o negócio.

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Contudo, reconhece as dificuldades das bandas nacionais – “é mais fácil para uma banda inglesa ou americana porque eles têm uma estrutura e forma de estar na música que vem de há muitos anos atrás e têm um know how que nós não temos. Na música portuguesa gostava que houvesse um bocadinho mais de abertura e originalidade. Mas isso vem daquilo a que estamos expostos e da exigência que nos é colocada. Não faz sentido estar só a importar coisas de outro lado, coisas que já existem.”

Quanto aos seus trabalhos em colaboração com outros artistas – “podia ser mais fácil fazer uma coisa sozinho mas ao trabalhar com outras pessoas há um ganho enorme e a música é uma coisa muito de comunidade.“

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Relativamente à música electrónica – “não percebo muito bem a perspectiva que nós temos em relação à música electrónica cá. É um espaço enorme onde nós temos por onde explorar e cá está subaproveitado. As pessoas que têm obrigação de educar os outros se calhar não foram formadas nesses estilos, nunca tiveram contacto grande com isso. Inglaterra tem das melhores coisas de música porque tem uma BBC a suportar aquilo. Existe música horrível em Espanha mas têm um Sonar, existe música horrível em Inglaterra mas têm um Glastonbury. Cá falta educação, radio, programas de autor…Só à medida que se conhece é que se quer saber mais…”

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“Eu acho que tenho esta perspectiva porque sou português. Eu não vou fazer parte de uma grande mudança cá mas se calhar daqui a uns anos aparecem mais pessoas e vai havendo uma mudança aos poucos.”

Até lá a ambição de : Papercutz é tocar ao vivo e tocar por todo o mundo.

Texto: Liliana Castro
Fotografia: Nuno Coelho

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