James Blake . Overgrown

Cresceu, mas não demasiado

O curto espaço de um par de anos desde o seu álbum de estreia parece, de facto, pouco tempo para tamanha evolução. Talvez por isso James Blake tenha intitulado de Overgrown o segundo disco com que nos surpreende. Ou talvez não. A verdade é que se o homónimo foi capaz de lhe proporcionar uma atenção generalizada, pela frescura fantasmagórica mas de alguma forma reconfortante do equilíbrio entre voz, piano e samples, Overgrown confirma-o incontornavelmente como um jovem cheio de potencial criativo e capacidade de gestão. Dotado de uma sensibilidade lírica invejável, e de colaborações estratégicas (RZA, Brian Eno) que lhe permitem uma certa diversidade, Blake consegue construir um trabalho muito mais consciente de que o seu é um registo de difícil adaptação. Continua a pedir uma certa insistência na hora de nos entrar no sistema mas é, globalmente, um álbum muito mais user-friendly, muito mais atento às necessidades de uma certa imediatez, sem por isso vender ao desbarato o que o caracteriza e lhe vale os cada vez mais fãs convictos que vai conquistando.

O tema que empresta nome ao álbum é uma afirmação disso mesmo. Perfeitamente reconhecível como James Blake, tem todo o potencial de single que no primeiro registo se verificava apenas em temas como Limit to Your Love e The Wilhelm Scream. Retrograde, bem no meio do disco, retoma esse tom mais emblemático, provando que comercial e pop não são sinónimos. Voyeur marca mais um momento alto, num ritmo quase hipnótico e quase dançável, deixando o fecho do conjunto a canções progressivamente mais melancólicas, que nos deixam com vontade de que não acabe.

Há uma evolução clara, mas está lá tudo na mesma. Não perdeu aquele agradável grau de estranheza, não perdeu a coragem de arriscar melodias difíceis, nem de tentar contar o inefável. Blake cresceu e a sua produção cresceu com ele. Na medida certa.

8/10

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