Noite 785 no plano b

A Seteoitocinco decidiu juntar duas bandas do rock português para uma noite de simbiose de guitarras, num estilo muito space e indie rock. A 22 de Fevereiro, sobem ao palco do Plano B, os Basset Hounds e os Baleia Baleia Baleia.

Nomeados para um dos melhores 20 álbuns nacionais de 2018 pela Blitz, os lisboetas Basset Hounds apresentaram o seu mais recente álbum II, editado em Abril de 2018, na cidade das Francesinhas, como os próprios dizem.

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Com uma atitude despreocupada e muito descontraída em palco, fazem-se ouvir os primeiros acordes de um concerto intimista mas ao mesmo tempo, com melodias bastante amplas e superficiais.  

É nos momentos em que Miguel Nunes mostra a voz, que o público também fica maisreceptivo e reage mais a este tipo de ritmos e batidas aéreos, com poucos apontamentos vocais e o baixo a marcar terreno, tudo com uma certa quantidade de melancolia nos temas.

O público finalmente cede o corpo quando se ouve Miguel dizer “Esta é claramente a Ouroboros” – single do álbum II – um tema com mais substância.

A última vez que a banda tocou no Porto foi na 5ª edição do NOS em D’Bandada, em 2015. Dito isto, este concerto deu bem para matar as saudades dos que já conheciam os Basset Hounds e foi também uma excelente oportunidade de apresentar os temas aos que ainda não conheciam o nome.

É a vez dos Baleia Baleia Baleia subirem ao palco e nesse momento dá-se por instalado um punk rock sem vergonha com uma vibe bastante energizante. Saímos de um momento mais chill com Basset Hounds para preparar o partir da loiça no Plano B.

À sala juntam-se mais uns curiosos que acabam por encher mais o público e alinhar com as batidas bastante coloridas, incapazes de deixar o público indiferente. Impossível não saltar, gritar, tentar alinhar nas letras que emanam uma certa saudade, nostalgia e até sátira à sociedade “o realismo mata sonhos, o optimismo nada faz, isto só pode ser o fim, tenham pena de mim ” ou o tão conhecido single “Quero ser um ecrã”, deixando no ar aquela questão tão pertinente, se realmente este vício e dependência dos ecrãs valerá tanto a pena quanto isso!

Manuel Molarinho, vocalista, criou desde cedo empatia com o público, conseguiu que quem estivesse a assistir se envolvesse ainda mais nesta aventura psicadélica e divertida. Houve inclusive referências a Fight Club, onde Manuel cita a expressão “I just wanted to destroy something beautiful” – que colmata com “Coisas bonitas, coisas que servem para ser destruídas” e aproveita a deixa para um cover dos Mão Morta.

O baixo é viciante e combina na perfeição com a energia de Ricardo, na bateria.

A noite termina com o tema “Interdependência” onde a expressão “Só preciso de ti, só preciso de tudo”, ficou bem presente no público. Acho que ficamos todos com uma dependência deste rock português! E melhor que isto, não poderia ser.

785 @ plano b

Texto: Carolina Roseira Rodrigues
Imagem: Nuno Coelho

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