Radio Moscow + The Black Wizards no Hard Club

Radio Moscow + The Black Wizards no Hard Club

Radio Moscow + The Black Wizards –  ChuChu! All aboard the psych train!

Nada melhor do que dizer olá à Primavera com uma expedição ao universo psicadélico do trio Norte Americano Radio Moscow, que contou com um kickoff muito especial de uns Portugueses eruditos em poções negras.

Com a Sala 2 do Hard Club lotada, a difícil tarefa de aquecer a plateia, e subsequentes articulações, ficou a cargo do quarteto nortenho The Black Wizards. Bem, nada a temer. Estes senhores tinham umas quantas poções mágicas na manga, e que poções meninos e meninas!

Riffs pesados e quebrados, batidas carregadas de psicadelismo, uma mão cheia de stoner vibes, influências de blues q.b., guitarras dinâmicas e sujas de fuzz, baixos maciços e hipnotizantes – está aqui a receita para um perfeito rock intemporal acelerado, trazido ao palco pelos The Black Wizards. Não se deixem enganar pela tenra idade destes jovens músicos, a sua mocidade e irreverência não é, de todo, sinónimo de imaturidade. Se há coisa que não faltou aqui foi qualidade, não fosse o constante headbang do Anthony Meier no backstage.

No final deste show de artes negras, que destilava psicadelismo em cada nota sem descurar de uma versão modernizada de um rock que vem dos anos 70´s, a sala estava quente, rendida e completamente abismada. O público estava pronto a invadir uma cidade, ou seguir capitania da jovem banda para onde quer que eles fossem. (In)Felizmente, não houve tempo para tal, já Parker Griggs tirava as medidas à arena enquanto falava e cumprimentava alguns afortunados próximos do palco.

Com o trio de heavy-blues a ocupar as suas posições de ataque, soam os primeiros acordes de “New Beggining”, música do seu último trabalho que mimoseia 10 faixas carregadas com um electrificante mix de guitarras versáteis, uma secção rítmica com energia suficiente para alimentar uma pequena capital acompanhado pelo poder cru da voz de Parker Griggs. Tudo isto, servido num mood mais negro que o habitual, onde as “jam sessions” tiveram muito a dizer sobre a construção de New Begginings. Assim confessou o frontman da banda num exclusivo à Noizze, fiquem atentos!

Sem tempo a perder, ainda a calorosa reação da plateia se fazia sentir, somos assaltados pelos clássicos “So Alone”, seguido de “Broke Down”. Levantámos voo no “Rancho Tahama Airport”, para aterrar novamente em 2017, data do último trabalho dos Norte Americanos: New Begginings, com o tema “Deciever”. Talvez com receio que o Hard Club pegasse fogo tal era a entrega do público, foi tempo de “acalmar o passo” com “Deep Blue Sea”, uma faixa sexy que massajou os pescoços já fustigados de tanto headbang. Foi mais ou menos aqui que a bateria de Paul Marrone acusou uma certa pressão, sendo necessário algum tempo para a convencer a cooperar novamente. Bem, nada que umas pancadinhas de amor soviético não resolvessem.

Retomado o show, Radio Moscow entram em Warp Speed e trilham caminho pelos álbuns anteriores, não podendo faltar temas como “City lights”, “Death Of A Queen”, “No Time”, “Speed Freak”, e claro, “No Good Woman” – que finaliza a primeira parte do show. Após um pequeno intervalo, complementado pelos aplausos e gritos fervilhantes de uma plateia que se adjetiva como completamente derretida pela performance da banda, Radio Moscow atiram para a sala os clássicos, “250 Miles / Brain Cycles”, seguidos de imediato pelos temas do último álbum “New Skin” e “Pacing”. É completamente impossível não ficar arrebatado pelo autêntico furação de força que a banda entrega nas suas performances ao vivo.

Para perceberem, no dia a seguir eles repetiram tudo de novo em Lisboa, enquanto muitos de nós, de alma lavada, tomávamos um Voltaren para as dores de pescoço.

LONG LIVE MOTHER RUSSIA!

Texto: Márcio Machado
Foto: Nuno Coelho

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