Reportagem Madrugada no Hard Club

Reportagem Madrugada no Hard Club

18 anos depois, os noruegueses Madrugada estão de regresso à cidade do Porto. Este concerto era tão aguardado como se do regresso de um filho se tratasse. O Hard Club estava completamente lotado e o calor que se fazia sentir era de tal forma que houve quem preferisse ficar o mais próximo da porta sentir a corrente de ar.

Mas a noite começa as 21h com os A Jigsaw. A banda de Coimbra sobe a palco para 45 minutos de canções que iam deixando a sala no ponto para o que aí vinha. Acompanhados pela lindíssima voz de Tracy Vandal, os A Jigsaw são a garantia que a música portuguesa tem elite e quando tem a plateia certa pela frente, a qualidade é naturalmente reconhecida.

Mas a noite era dos Madrugada, e o público, maioritariamente composto por nascidos na década de 70, já ansiava pelo trio norueguês, que em tour se torna num quinteto, e que tem na voz de Sivert Høyem o seu maior expoente.

A noite começa com Vocal, tema de Industrial Silence, disco que seria o personagem principal desta noite, e que rapidamente deixa o Hard Club rendido aos acordes vindos do palco. Belladona, Higher e Sirens seguem-se, mostrando que a intensidade e garra deste colectivo mantem-se intacta.

É tempo de canções de amor e de perpetuar o momento com Shine, This Old House e Strange Color Blue. Foram momentos de cumplicidade entre a banda e o público que começaram a transformar uma noite de música em algo tão especial que os sorrisos eram por demais evidentes.

Mas os fãs de Madrugada estão preparados para a aguentar as emoções e a intensidade começa então a subir novamente. Foram relembrados temas como Salt, Norwegian Hammersworks Corp., ou Quite Emotional. A primeira parte termina com Electric, e podemos apostar que lágrimas foram limpas no escuro da sala 1 do Hard Club.

A banda faz uma pequena pausa e regressa ao palco e regressa com Black Mambo, um dos temas mais aguardados da noite. Segue-se Hands Up e Only When You’re Gone, e o público do Porto já não sabe o que fazer. A competência destes nórdicos até impressiona o mais racional dos seres.

The Kids Are on High Street antecipa o fim quase em tom de hino da Noruega. Muitos já não aguentavam as duas horas de concerto, mas não queriam perder um acorde e notava-se o cansaço natural daqueles que nasceram no início dos 70. Mas o Porto é bravo e aguentou-se até ao último acorde de Valley of Deception, tema de 2008, que faz parte do último disco de originais dos Madrugada.

A noite foi quase perfeita. Quase porque faltou esta e aquela. Somos seres exigentes e duas horas de concerto podem parecer muito, mas 18 anos de espera transformaram 21 temas e duas horas de concerto em algo tão breve. Desta vez ficamos a contar que o regresso não demore 18 anos.

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